80 anos


Hoje é o dia dela. 80 anos. OI-TEN-TA. 

Quem diria que no seu dia, eu não estaria aí para dar aquele abraço, um presente, comer o bolo juntas? Pra dizer do amor, da gratidão, da admiração, do carinho que se acumulou pela vida e, no alto dos seus 80 anos, precisa ser compartilhado, celebrado, vivido.

Você nasceu no começo da Segunda Guerra Mundial, no meio do medo e do caos de um mundo conturbado. Aquela guerra acabou mas o mundo nunca teve plena paz. Outras tantas guerras e conflitos vieram. Vivemos no conflito das nossas próprias guerras, na luta pela vida, nas batalhas diárias por sobrevivência, crescimento, sentido, amor. Hoje, 7 de Junho de 2020, 80 anos depois, ainda estamos em guerra. Dessa vez, além da sobrevivência, da luta contra uma sociedade injusta, desigual, covarde, lutamos com mais um inimigo invisível que nos nos aparta. Um vírus que nos isola e separa e que mais parece uma história de ficção científica. Mas é real e seus 80 longos anos te transformam numa testemunha ocular de toda essa epopéia, essa história quase surreal, que vai da invenção do primeiro transístor ao advento da internet, que hoje nos põe em contato diário, mesmo na distância. A vida é maluca, curta e bem irônica. Seus 80 anos me servem como exemplo de amor e resistência. Ver você fazer 80 anos longe de um abraço é uma dessas crueldades e injustiças que se combate todos os dias, lá fora e dentro de nós. É o que nos entristece mas também nos motiva a lutar pelo próximo encontro, pelo próximo abraço apertado, pela próxima risada que daremos juntas. Que esta falta seja sempre menor do que outras faltas. Que esse dia seja especial e marque a continuação da nossa espera por dias melhores, por mais encontros, por aquela festa que está guardada pra quando a gente se ver, de novo, em breve. Feliz aniversário mãezinha querida. Que seu dia seja lindo como você é. Deixa o tempo passar como tudo passa, mas tenha certeza do nosso amor, meu, da Mara, do Caié por você. Esse não passa nunca. Obrigada por existir e por nos dar o exemplo de como viver, perseverar e lutar.

Sinta-se abraçada, amada, celebrada.

Salve 07.06.2020 e seus 80 anos de puro amor, beleza e teimosia❤️
Te amamos.

Serviços essenciais


“Barbearia/Barbershop” – 25×30 – acrylics on canvas – 2020 – disponível/available – LM (c)

******

Things that used to be important, suddenly, are no longer as essencial, but many didn’t realize it yet. Society has been so sick, so ill, that it took a real pandemia to make people take five and repurpose their existence. No, those shoes were not what would make you happy. The beauty must be beyond the hair cut, or there is not much to be shown, anyway. 

Even though many are confined in quarantine, most still didn’t realize the real cure they should submit themselves to. People are going crazy inside their homes, but they were going crazy out there too. Most cant stand to stand in front of the mirror, in silence. The voice of their closed ones, so near, may sound like terrifying screams from a horror movie. Some people desperately miss their slaving routine of corporate work because they rather be consumerist robots in the capitalist society than interact emotionally with their own spouses, children, family. People are going crazy because many are now being forced to look at their own four mouldy walls. Some are extremely lonely, others are lonely inside of their crowded households. We are all lonely and sick predators, killing the planet, our fellow men, ourselves. The virus is doing a favor for many. Others are so scared that they rather be in denial and pretend nothing is happening. We are all looking for normality in a world and society that couldn’t be further away from normality. Reality is tough and rough. We are shallow, we cherish our Blahniks, Vuittons and hair cuts more than we cherish solidarity, health, humanity, peace. Will we ever change? Sure we will. But by now, for many, hair style is more important than existence itself.
*****
Coisas que costumavam ser importantes, de repente, não são mais tão essenciais, apesar de muitos ainda não se darem conta. A sociedade está tão doente, tão descompensada, que foi necessário uma verdadeira pandemia para levar as pessoas a pensar e redefinir sua existência. Não, esses sapatos não eram o que faria você feliz. A beleza deve estar além do corte do cabelo ou, de qualquer maneira, não haverá muito a ser mostrado.

Embora muitos estejam confinados em quarentena, a maioria ainda não percebeu a verdadeira cura à qual deveriam se submeter. As pessoas estão ficando loucas dentro de suas casas, mas elas também estavam loucas lá fora. A maioria não suporta ficar de pé diante do espelho, em silêncio. A voz de seus próximos, tão de perto, podem parecer gritos terríveis de um filme de terror. Algumas pessoas sentem falta desesperada de sua rotina escrava do trabalho corporativo porque preferem ser robôs consumistas da sociedade capitalista do que interagir emocionalmente com seus próprios cônjuges, filhos e família. As pessoas estão ficando loucas porque muitas agora estão sendo forçadas a olhar para suas próprias quatro paredes mofadas. Alguns estão extremamente solitários, outros são solitários dentro de suas próprias casas, lotadas. Somos todos predadores solitários e doentes, matando o planeta, nossos semelhantes, a nós mesmos. O vírus está fazendo um favor para muitos. Outros têm tanto medo que preferem negar a realidade e fingir que nada está acontecendo. Estamos todos buscando a normalidade em um mundo e sociedade que não poderiam estar mais longe da normalidade. A realidade é dura e difícil. Somos superficiais, valorizamos nossos Blaniks, Vuittons e progressivas mais do que valorizamos solidariedade, saúde, humanidade, paz. Mudaremos alguma dia? Claro que sim. Mas agora, para muitos, o estilo do cabelo é mais importante que a própria existência.

Corona virus quarantine


We were not ready to reinvent our days.

Our stories were unsatisfying but known.

Our rutine was less than perfect, but at least we could make plans.

We think we have time. We don’t.

We think we are in control. We are not.

Art is freedom and yet, we chose confinement.

We trust invisible gods while invisible virus can decide our fate.

Our strongest enemy is time, and also our redeemer.

We have almost everything you need, and yet, never enough.
“Almost everything you need/Quase tudo o que você precisa/ Melkein kaikki mitä tarvitset” – 25×30 – Aoc – painting available – Luciana Mariano (c)

Hetki

hdr

Português abaixo:

This canvas has been laying around for a few years.
I started it in England about 4 ago and it has travelled with me to many places since then.
I started it painting the background, just some colorful walls and a gray sidewalk.
Then a few years later the doors and windows appeared. Then another long pause.
Life happens and time passes merciless, no matter what you do.
Corona virus strikes the world now and we all fell, with or against our will, into confinement.
As a painter, confinement and isolation has been a long awaited dream.
Without further explanations nor guilt feelings, I finally found the time I needed and craved for, just to sit down quietly and paint.
Then the painting that was just a few flat strikes of color started to resemble something; a place.
It gained people and details, curtains and stories.
It found reasons, directions, questions and answers.
I found it specially interesting when I finished it and posted on my FB page, asking what name it should get.
Because everyone have their own focus and feelings about on the current situation, the suggested names also found corolation with social isolation.
Here were the suggested names:
Vida que segue
vida pós covid
calcada
liberdade
a vila
cores da cidade
cotidiano
dias bons
vidas medidas
The colours of life
se essa rua fosse minha
viver
na rua, na vida
Little worlds
Reviver
Vida e prazer
Where is Luciana (or Shelagh)
Fim da pandemia
A rua da minha infancia
A vida segue normal
A invisibilidade do preto
Observacao de uma vida invisivel
Memorias da minha infancia
Vá pra casa e se cuidem
Cotidiano perdido
É o que esperamos
Idas e vidas
When life goes back to normal
After the covd19 pandemic
Cortico gourmet
Cada um no seu quadrado
E a vida enfom vltou ao seu normal
…and the street was empty of fear
vidas vividas
Vida!
Em qual porta você quer entrar?
Fofoqueiros / desocupados
Viznhanca
Mundo de cores
The doors
Antes do corona
Fica em casa, desgraca!

It was very interesting to see the suggestions and for my surprise I understood a bit more abut the dinamics of perceiving art.
These were my conclusions:

  • Perception and understanding are subjective. People see what they already have inside of them. Fear, fun, poetry, memories…the eyes reach out to what appeals to their hearts.
  • whatever people are experiencing personally or in their social sphere, it will influence their perception and understanding of the art.
  • the name of the piece helps to understand and develops the visual narrative.
    It becomes an explanation, a complement and a continuation of what the eyes can see. It draws the attentions to details or to the general idea, but mainly its increases the dialogue between the work and the viewer.

I loved this interaction.
And as an artist it helps me to understand what in my work will also reach and communicate better with my public.
In the end, this painting was baptized by someone that saw the painting out of the social media enquiry.
It is now called “HETKI”, meaning “Moment”, in finnish.
And I justify the choice:
“Moment” respects everyone`s view and understanding for this specific work.
In moments of turmoil, we all have our expectations and hopes, feelings we want to bring back (or forward), a moment where we find love or peace,
the happiness or health we all crave in life.

May this moment be the symbol of all good things to come.
the colors we need
the feelings that brings us to the best in us
the life we all hope to be possible, after this moment of chaos is gone.

****************************

Esta tela existe há alguns anos. Comecei na Inglaterra há cerca de 4 anos e viajou comigo para muitos lugares desde então. Comecei a pintar o fundo, apenas algumas paredes coloridas e uma calçada cinza. Alguns anos depois, as portas e janelas apareceram. Depois, outra longa pausa. A vida acontece e o tempo passa sem piedade, não importa o que você faça. O vírus Corona atinge o mundo agora e todos nós caímos, com ou contra a nossa vontade, em confinamento. Como pintora, confinamento e isolamento eram um sonho há muito esperado. Sem justificativas nem sentimentos de culpa, finalmente encontrei o tempo que precisava e desejava para apenas me sentar em silêncio e pintar. Então a pintura que era apenas alguns traços de cor começou a parecer com algo; um lugar. Ganhou então pessoas e detalhes, cortinas e histórias. Encontrou razões, direções, perguntas e respostas. Achei especialmente interessante quando terminei e postei na minha página do FB, perguntando qual o nome que ela deveria receber.  Como todos têm suas próprias preocupações pela situação atual, os nomes sugeridos também encontraram ressonância com o isolamento social. Aqui estão os nomes sugeridos:

Vida que segue

vida pós covid

calcada

liberdade

uma vila

cores da cidade

cotidiano

dias bons

vidas medidas

As cores da vida

se essa rua fosse minha

viver

na rua, na vida

Mundos pequenos

Reviver

Vida e prazer

Onde está a Luciana (ou Shelagh)

Fim da pandemia

Rua da minha infancia

A vida segue normal

A invisibilidade do preto

Observacao de uma vida invisivel

Memorias da minha infancia

Vá pra casa e se cuidem

Cotidiano perdido

O que esperamos

Idas e vidas

Quando a vida volta ao normal

Após a pandemia covid19

Cortico gourmet

Cada um no seu quadrado

E a vida enfim voltou ao seu normal

… e a rua estava vazia de medo

vidas vividas

Vida!

Em qual porta você quer entrar?

Fofoqueiros / desocupados

Viznhanca

Mundo de cores

As portas

Antes do corona

Fica em casa, desgraca!

Foi muito interessante ver as sugestões e, para minha surpresa, entendi um pouco mais da dinâmica de percepção da arte.

Estas foram minhas conclusões:

  • Compreensão e percepcão são subjetivas. As pessoas vêem o que já têm dentro delas. Medo, diversão, poesia, lembranças … os olhos alcançam o que atrai seus corações.
  • o que quer que as pessoas vivenciem pessoalmente ou em sua esfera social, isso influenciará sua percepção e compreensão da arte
  • o nome da peça ajuda a entender e desenvolver a narrativa visual. Torna-se uma explicação, complemento e continuação do que os olhos podem ver. Chama a atenção para os detalhes ou para a idéia geral, mas principalmente aumenta o diálogo entre a obra e o espectador.

Adorei essa interação e como artista, isso me ajuda a entender o que no meu trabalho alcançará e como se comunicará melhor com o público. No final, essa pintura foi batizada por alguém que viu a obra fora na pesquisa na mídia social. Agora seu nome é “HETKI”, que significa “Momento”, finlandês.

E justifico a escolha: Momento respeita a visão de todos e a compreensão deste trabalho específico. Em momentos de turbulência, todos temos sentimentos e percepcões pessoais e queremos voltar (ou avançar) para um momento onde encontramos amor ou paz, a felicidade ou a saúde que desejamos e esperamos na vida. Que essa pintura e esse momento sejam o símbolo de todas as coisas boas que esperamos. As cores que precisamos, os sentimentos que traz o melhor de nós para a vida que esperamos ser possível, depois que o caos desse momento se for.

 

(c) direitos reservados

Luciana Mariano, 2020

Quarantine Art



Quarantine Art
In isolation, we have to stop.

And take a look at the things inside.

Our walls, our window views

Colors and textures

of what our hands can reach.

My quarantine life

meets my quarantine art

Brushes and canvases

Covered of absence

and peace.

Welcoming silence

and cozy interiors

where you can feel

Safe

Calm

Happy

Healthy.

Stay home. Be safe

We are not sure about what will come

But we are sure we need a different humanity.

May art save our souls.

 

Support independent artists, invest in art, buy from the makers.

Paintings available for sale – 10×15 cm – 50€ + shipping

Meritocracia


Cada um sabe de si. E sabe dos seus desafios e do quanto de suor e lágrimas investidos para alcançar o êxito. Crescimento requer tempo, mas tempo não é tudo. Fatores como meio, investimento, apoio, suporte, encorajamento e incentivo moral, psicologico, físico, material… São importantes. Mérito têm todos aqueles que “chegam lá” e provavelmente até os que não chegam. Crescer e conquistar não é apenas questão de esforço ou determinação. Tornar-se, transformar-se, conseguir e alcançar é resultado uma caminhada longa em um caminho sinuoso e cheio de obstáculos. Sejam por noites mal dormidas ou refeições balanceadas, a sorte do seu status interfere na rapidez e qualidade da conquista do seu mérito. Seja pela cor da sua pele ou pelo gênero que habitas, sua vitória tem, sim, o peso do seu papel social e o meio em que ele se insere. Nada é fácil para ninguém, mas alguns chegam de carro com ar condicionado enquanto outros se arrastam sem pernas por paralelepípedos escaldantes, ladeira acima. Dizer “para você ou aquele é fácil” é enxergar somente o resultado sem as variáveis envolvidas. O mérito ou o demérito, a conquista ou o fracasso são decididos ou definidos em relação a que? A quem? Não subestime as conquistas alheias, mas também não romantize as adversidades alheias.

– Ela está brincando.

– Mas quem a impulsionará?

– Ao menos ela tem um balanço

– Mas para que serve se você não alcança nem o chão, nem o céu.

– E depois?

– Depois ainda tem um mundo inteiro para percorrer, conquistar.

– Sim. E ela não tem sapatos.

Ela está sentada ali.

Mas ninguém sabe como ela chegou lá.

Hoje ensina, observa, guia.

Ela tem o que não deram.

Ela dá o que não teve.

Ela não acredita em meritocracia.

Luciana Mariano (c)

Seu lugar

Seu lugar / Your Place

Seu lugar / Your Place – work of art about women´s place in society and how amazing they are in transforming ordinary things into love, beauty and magic.

Este quadro foi mostrado pela primeira vez na Estonia em 2018.

Foi tema de exposição solo (sobre o universo feminino) no Museu de arte naïf Kondase Keskus, uma das melhores exposições que já tive o prazer de participar, feita esmero e mágica por pessoas maravilhosas.

O nome desta obra é “Seu lugar”, para tantas e tantas vezes que mulheres são humilhadas e sujeitadas a lugares e posições inferiores àquelas que elas realmente deveriam ocupar. O feminismo permitiu que as mulheres re-ocupassem seu lugar na sociedade. Na cozinha ou na presidência, nosso lugar é onde quer que queiramos estar.

E seja lá onde estivermos, transformaremos nossos espaços em locais cheio de amor, competência, beleza, inclusão, nutrição, eficiência, justiça, igualdade e mágica.

Quem nao entendeu nossa divindade ainda, não entendeu nada.

Nosso lugar é na vida.

 

I hope you get what you want

I see a lot of poverty in the world. Hunger at its worst, from food, to knowledge, to love, to humanity. Poor people, people with no means or resources, people with no chance of social ascention, people with no empathy and emotional connections; they have different origins, sources, but they boil down to the same kind of suffering: starvation, misery.

I feel sad and guilty when I see the world the way it is. I feel bad when I thrive in a world of hunger, apartheids and wars.

And yet, personally,  this was the happiest Christmas I have ever lived. I found true love and my son came to visit me in my new life. My son in my life, my love in my life, this much love makes me forget about all the odds and pain and adversities… At least for a while. And a while of happiness goes a long way. It calms down my troubled heart, mind and soul and allows me to recharge and carry on for a while longer. Love and happiness numbs our nerves on the inflicted pain on our skin and eyes.

For a moment, happiness allows me not to think about the misery and pain that devastates the world. For a moment, love allows me to be selfish enough to only live this moment and enjoy the meals, sofa snuggles, car rides, laughs and sunsets with my son and love.

And thats what I wish for you. That for a while, for a moment, even if a breaf one: whatever you wish comes true.

I wish you love, kindness, conscience, awareness, empathy, peace, food, presents, presence, I wish you whatever you need, whatever you want: I really hope you get it.
Merry christmas.

Feliz Natal.

Glædelig jul.

Hyvää Joulua.

Buon natale.

Feliz navidad.

Create your reality


Magic happens when we don’t have something and we create it.

We can look at things and comply with it or not.

Cloudy walls is a paint about creating your own reality.

About tenderness and self empowerment.

The green chair is hope and rest.

The served table is about self nourishment, self love.

The cat is the certainty that we are never completely alone.

The portrait is the new possibilities, the change.

The hat is self protection, self care.

She looks at her past, but takes a stand for her future.

She is sweet, loving, beautiful… But stands firm, on solid ground. 

She stands for what she believes and cares.

She exists and allows everyone else to exist too.

She is you, me, all of us.
Clowdy walls – acrylics on canvas board – 18×24 cm – AVAILABLE FOR SALE