Luciana Mariano

Januária


Her name is Januária. 

She might look fragile but she is a beautiful, bold and fearless girl.

She carries a soul full of dreams and a heart full of love.

(Here starts a series of 3D works)
*****
Januária pode parecer frágil mas é na verdade muito valente.

Ela carrega consigo uma mala cheia de sonhos e tem a alma, o coração, os braços e os olhos repletos de amor.

( Escultura em massa de secagem a frio e pintura acrílica)

Sobre lugares na história. Or: the cat in the bathroom.


(Texto em português abaixo)
About this painting: 
Life is taking me for quite a ride.

One day I find the love of my life, the other day my country become a hostile territory ruled by a mad man. Things that are apparently unconnected but everything has some common ground. 
This is the first time I make a painting to my home.

I wanted a painting in the toilet.

A cozy painting of a toilet.

There is a nice bathtube, towels, soaps, paintings on the wall, curtains and a window with a peaceful view, a sink and obviously a potty. It is cute and silly. It is a clean and safe place where people can sit and relax while doing their business. People will watch and be watched: there is a cat in the middle of the painting. In this personal metaphor the bathroom represents the comfort of finally having your own space to live and care for, while the cat is the owner, the user, the keeper and the guardian of the space that he finally can call home.
But the painting is also symbolic.

It’s the place where you “let go”. 

The place that you put out your excrements.

This painting could represent the whole contemporary moment of a country. An ambiance where everything looks satisfactory, but it is a sad representation of a whole home. It is a place to wash, but nothing is being washed. It is a place where every day a lot of sh*t is being done, deposited, spoken and exposed without any restriction, criteria nor shame. A country that allows massive defecation without due care, could soon be clogged, flooded, interdicted and ruined. A country, should not be turned in to a toilet by it’s government. Once again, it had everything to be put into good use and become a healthy, comfortable part of a good home. But if the cat sits there, in the middle, and does nothing, soon not even the cats will be able to live that environment. In this metaphor the bathroom is a country and the cat is its people. 
The narratives of my paintings are quite open. You can enjoy it or not, you can like it or not, but it is always up to the viewer to figure out where this place really is and how the characters will react to the story. I know what I want for my story and what I need to do to get there (I am there, indeed) I just hope the people from that country realize soon enough that just sitting and watching will not be enough.
PORTUGUÊS:
A vida está me levando para um interessante passeio.

Um dia encontro o amor da minha vida, no outro dia meu país se torna um território hostil governado por um louco. Coisas que aparentemente não estão conectadas, mas tudo na vida tem algum ponto em comum.
Esta é a primeira vez que faço uma pintura na minha casa.

Eu queria uma pintura no banheiro.

Uma pintura aconchegante de um banheiro.

Há uma banheira agradável, toalhas, sabonetes, quadros na parede, cortinas e uma janela com uma vista tranquila, uma pia e, obviamente, uma privada. É fofo e bobo. É um lugar limpo e seguro, onde as pessoas podem se sentar e relaxar enquanto cumprem seus afazeres biológicos. As pessoas vão ver e serem vistas: há um gato no meio da pintura. Nessa metáfora pessoal, o banheiro representa o conforto de finalmente ter seu próprio espaço para viver e cuidar, enquanto o gato é o dono, o usuário, o guardião e o mantenedor do espaço que ele finalmente pode chamar de lar.
Mas a pintura também é simbólica.

É o lugar onde você se desprende do que não precisa e “deixa ir”.

O lugar que você põe para fora seus excrementos.

Esta pintura pode representar o momento contemporâneo de todo um país. Um ambiente onde tudo é aparentemente satisfatório, mas é uma representação triste de uma casa inteira. É um lugar para lavar, mas nada está sendo lavado. É um lugar onde todo dia muita merda está sendo feita, depositada, falada e exposta sem qualquer restrição, critério ou vergonha. Um país que permite vergonhosa defecação sem o devido cuidado, poderá em breve estar entupido, inundado, interditado e arruinado. Um país, não deve se tornar a latrina suja ou o banheiro de seu governo. Mais uma vez, tinha tudo para ser usado para ser parte saudável e confortável de um bom lar. Mas se o gato está lá, no meio, e não faz nada, em breve nem os gatos poderão viver esse ambiente. Nesta metáfora o banheiro é um país e o gato é o seu povo.
As narrativas das minhas pinturas são bastante abertas. Você pode curtir ou não, você pode gostar ou não, mas é sempre o espectador que decide qual é este lugar e como os personagens vão reagir à estória. Eu sei o que eu quero para a minha história e o que eu preciso fazer para chegar lá (de fato, eu já estou lá). Eu só espero que as pessoas daquele país percebam em breve que apenas sentar e assistir não está sendo o suficiente.
Luciana Mariano, all rights reserved.

The house of the three cats


The house of the three cats
Is a place where you can be who you are

There you are allowed to embrace

Whoever you were born to be.

It’s a place where freedom 

speaks louder than empty statements

And morals are built upon respect

For diversity

inclusion and justice.

In the house of the three cats

Your color

Beliefs

Sexuality

Tastes

and preferences

Can only concern yourself

And everyone else accepts you

Beyond your flaws and qualities.

Because you are

(also) 

so much more

Than your looks and opinions.

There you can exist 

without being judged

Days and nights are merely

Aspects of time

And you can interact with reality

According to your own

Perspective and perception.

There you can be 

serious

crazy

weird

All

Or nothing.

As long as you are 

Kind and respectful

Generous and gentle.

There you will find your kindred souls

No mater who you are.
Love takes you there, empathy is the key.

If you have it, you are always welcome.

******
A casa dos três gatos
É um lugar onde você pode ser o que é

Lá você tem permissão para abraçar

Aquele que você nasceu para ser.

É um lugar onde a liberdade

fala mais alto que declarações vazias

E a moral é construída sobre o respeito

Pela diversidade

inclusão e justiça.

Na casa dos três gatos

Sua cor

Crenças

Sexualidade

Gostos

e preferências

Só dizem respeito a você mesmo

E todo mundo te aceita 

Além das suas falhas e qualidades.

Porque você é

(Também)

muito mais

Do que sua aparência e opinião.

Lá você pode existir

sem ser julgado.

Dias e noites são meramente

aspectos do tempo

E você pode interagir com a realidade

de acordo com a sua

Perspectiva e percepção.

Lá você pode ser

sério

maluco

esquisito

Todos

Ou ninguém.

Contanto que você esteja

Bom e respeitoso

Generoso e gentil.

Lá você encontrará suas almas afins

Não importa quem você seja.
O amor te leva você até lá, mas empatia é a chave.

Se você a tem, você será sempre bem vindo.

Arte na Tela

https://youtu.be/8n2VF0XbfA4

Click on the link above and heck out the interview on the TV program “Arte na Tela” shown in Brazil.

Para conhecer minha arte, clique no link acima e assista o programa “Arte na Tela” exibido no Brasil.

Junho ° June ° Juni ° Kesäkuu


A painting is always a thoughful gift.

There is soul, energy and color in it. It’s a lively visual narrative that playfully invitates you to appreciation, thought and fantasy. It can be personal too, bespoke, it can be made for a special ocasion, a celebration, a time to be remembered. Through commissioning or purchasing a panting from an unknown artist you support, sustain and allow more art to be created.

Art is a good investment.

Art is life.

Art is love.

Support independent artists.
PS: many months of intensive work happening now. A very special exhibition coming up soon.

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Na labuta

image10 anos na estrada.
Em 2008 foi um ano difícil. Muitas perdas consecutivas, o trabalho era um inferno, o casamento outro inferno, a única coisa que me mantinha de pé era ser mãe. Mas como ele já era adolescente e não precisava tanto de mim, eu me mantive sentada, pintando para respirar. Eu cresci vendo mãe e tio pintando, mas sabia que aquilo “não era profissão”. Sempre pintei como hobby, no pouquíssimo tempo que me restava, mas depois de pintar eu destruia, rasgava e jogava fora meus desenhos e pinturas, porque eles eram só meus, eram feios, imperfeito, infantis. Eu não aceitava e não queria me expor pela minha feiura, as minhas imperfeições, fragilidades.

Em 2008, por falta de forças ou pressa eu pintava mais do que destruia.

Dizem que a bela flor do lótus nasce em águas sujas e pantanosas e é assim que eu senti. Toda sujeira, dor, falsidade, violência, desamor, o desprezo e o medo foram substituídos por arte, no meu estado mais bruto; no lodo do que é feio encontrei o belo da minha arte, naïf. Dez anos se passaram da minha primeira exposição.

10 dos 50 que pretendo percorrer.

Me dei o direito de ser artista. De exercer minha arte mesmo que feia, infantil.

Me dou a honra de viver de arte.

Não é fácil. Nem sempre se vende e quando não se vende não se come.

Não me importo.

Troco, escambo, negocio, financio em suaves prestações, dou a quem precisa, vendo a quem entende.

Dou e exijo respeito.

Eu respeito minha arte.

47 anos de arte, 10 anos de carreira.

É agora ou nunca.

Então é, agora.

Continuum

image.jpeg

 

I am missing the simple things which never were.

A time and space that feels so right, but are not mine.

Feeling tired of the hard work, with no return

Exhausted by never ending struggle.

And yet hopeful

yet thoughtful

Purposeful

walking towards

better times to come

beautiful, silent, colorful sunsets

All the kindness and long, quiet, loving, warm embraces.

Here thinking, wondering

almost feeling, almost tasting

that “Je ne sais pas quoi”

which I have been longing for,

so much,

since I came to this experience.

Where are you?

Where is it?

What is it?

When will it come, happen, be?

Meanwhile I keep walking, carrying on

persistently breathing my time away.

The path is long

I may as well try to enjoy the journey.

*****

Estou com saudade das coisas simples que nunca foram.

Um tempo e espaço tão reais, mas que não são meus.

Sentindo-me cansada do trabalho árduo, sem retorno

Exausta pela luta sem fim.

E ainda assim esperançosa

ainda assim intensionada

propositada

caminhando na direção

de melhores tempos do porvir

Pores do sol bonitos, silenciosos e coloridos

Toda a bondade e abraços longos, silenciosos, amorosos e calorosos.

Aqui pensando, perguntando

Quase sentindo, quase provando

aquele “Je ne sais pas quoi”

que desejo,

muito,

desde que cheguei à esta experiência.

Onde está você?

Cadê?

O que é?

Quando vai acontecer, vir, ser?

Enquanto isso, sigo andando, continuando

Persistentemente respirando

meu tempo e distância.

O caminho é longo

Devo tentar aproveitar a viagem.

Cages


Cages are homes, hearts, minds, routines. You may love your cage, but it is still a cage.

I am prisioner to the books I never wrote, the the music I never composed, to the love I didn’t give.

Life is a sentence.

*****

Cages/Gaiolas – 2017 – 30×40 – Luciana Mariano (direitos reservados)

DISPONÍVEL / AVAILABLE

*****

Tenho sonhado muito nos últimos dias. Uma sonharada que por vezes lembro, outras não, que às vezes fazem sentido, outras me põem ainda mais ansiosa, confusa. Se sonhos são projeções do inconsciente, minha alma está povoada pelo tumulto, pela agitação, multidões barulhentas de quadros ainda não concebidos. Muito movimento, muitas histórias e sentimentos que me fazem acordar cansada – como se a vida diária, acordada, já não se encarregasse disso.

Vivo a síndrome do estrangeiro, aquele que não pertence em lugar nenhum e especialmente aqui sei que não me encaixo. Me falta algo que vai além do que sei descrever, uma sensação de desconforto que me roça a pele, incomoda e sufoca como espartilho sobre a roupa e sapato de tiras, de salto, apertados.

Tenho conseguido meditar um pouco, o que que ajuda a recobrar a sanidade. Aquela paz de quem observa à distância, que vê o torto mas não se curva para segui-lo. Aquela aceitação da impotência, misturada com a tranquilidade de quem já entendeu que às vezes só o tempo mata ou cura. Ele, o tempo, não falha nunca, quem falha é a vida, efêmera, fragilzinha, mecânica, utópica. A cabeça trabalha o tempo todo, mesmo quando tenta, se esforça deliberadamente para não fazê-lo. Ela avalia tiranos, examina possibilidades e, sempre que possível, acordada ou dormindo, sonha.

Hoje meu sonho me estapeou pra fora da cama, acordei com a frase: “É o que é.”

Aceitação? Nem sei… Não costumava ser dessas.

Mas é. É o que é.

Um dia de cada vez.

Vou fazer o que sei, preciso e posso. Vou pintar. E assim sou feliz, leve, livre.

Quando não pinto por algum tempo, os quadros borbulham dentro de mim, como essa enxurrada de sonhos descontrolados, querem sair. Metáfora perfeita para eu, que quero sair. É o que é. Vou pintar.

Sobreviver é urgente quando se trata de viver de arte.

Para viver entre saudade e sonho, prefiro pintar: a única e secreta, pessoal e intransferível forma de enganar o impiedoso tempo.

É o que é.

Que bom, melhor assim.

Purple


A purple cat perhaps

can stand

For whatever differences

We may represent

In this ecological

Diverse

world.

Our uniquenesses

our ideas

and battles

Often speak louder

Than our loudest

Repeated words.

Not easy to live

In a society where

So many speak

But so few say anything

That is worth 

listening.

Colors yell.

They Play

They Whisper

while screaming,

secretly

what they really

want to 

Show.

Even the simplest

And most naive

Purple

Painted cat

Can

Some times

Say: odd is good.

Our differences makes us special

Lovable

Beautiful.

Magical.

free

Empathy for these differences

Makes us better

And allows us

To exist

In a better

Kinder

Softer 

possible world.

The impermanent nature of everything


I was writing a long post. One hour patiently choosing words, carefully putting them together to make a harmonic literary dance; intentional poetry, purposely composed to match the beautiful, colorful, delicate painting. Nice. Until I typed one wrong icon and the whole text was deleted. Gone, forever.

We can try to control our circumstances. We think life is solid, as the solid things we build, out of solid thoughts, solid bricks laid down together on solid grounds. Illusion. Life is fragile and impermanet, like every thing we are, see, feel, touch, do.

From one moment to the other all we know, own, are can be washed away with life.

Its not easy to face our fragility. To realize the impermanent nature of everything. One day, soon, we will all be dead. Time is unmerciful but also extremely generous and fair. Doesn’t spare a few, extinguishes it all. Makes me wonder…what is the point on all of this? No point. It’s all an illusion. Breath in and out, enjoy, let go. This too shall pass.
Painting available for sale:

“Aurora Borealis” – 30×40 – Acrylics on Canvas – 2017, Luciana Mariano ©
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Eu estava escrevendo um longo post. Uma hora inteira pacientemente escolhendo palavras, cuidadosamente organizando-as numa dança literária harmonica, poesia intencional, composta propositadamente para combinar com a pintura bonita, colorida, delicada. Ótimo. Até eu digitar um ícone errado e deletar todo o texto. Tudo se foi, para sempre. A gente pode tentar controlar nossas circunstâncias. A gente pensa que a vida é sólida, como as coisas sólidas que construímos, feitas de pensamentos sólidos, tijolos sólidos assentados sobre terrenos sólidos. Ilusão. A vida é frágil e impermanente, como tudo que somos, vejos, sentimos, tocamos, fazemos. 

De um momento para o outro, tudo o que conhecemos, possuímos e somos pode ser levado embora com a vida. Não é fácil enfrentar nossa fragilidade. Entender a natureza impermanente de tudo. Um dia, em breve, estaremos todos mortos. O tempo é impiedoso mas também extremamente justo e generoso. Ele não poupa ninguém, ele extingue tudo. Me faz contemplar… Qual o sentido de tudo isso? Não tem sentido. É tudo uma ilusão. Respire, aproveire, desprenda-se. E até isso haverá de passar.
Obra disponível:

“Aurora Boreal” – 30×40 – Acrylics on Canvas – 2017, Luciana Mariano ©