sonho

Sonho no divã

É preciso sonhar. Expandir a realidade através do sonho, do desejo, da imaginação. Sonhar até cair cansada e acordar achando que sonhos são sim possíveis e a realidade é só o avesso do sonho que ainda não se concretizou. É só questão de tempo. Do tempo que não para, do impiedoso tempo que não espera por ninguém; é só questão de fé. Fé é crença, crença é vontade, vontade é força e a minha força move mundos quando eu sonho. Imaginários mundos. Mundos de possibilidades.
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We need to dream. Expanding reality through dreams, desire, imagination. To dream until you fall exhausted and then wake up believing that dreams are, indeed, possibilities. Reality is just an inside out dream that is about to become true. It’s a matter of time. Time that doesn’t stand still, the unmerciful time that waits for no one; it’s just a matter of faith. Faith is belief, belief is will, will is strength and my strength can create worlds when I dream. Imaginary worlds. Worlds of possibilities.

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Commission work made for private collection. 

Luciana Mariano, copyrights reserved.

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Cages


Cages are homes, hearts, minds, routines. You may love your cage, but it is still a cage.

I am prisioner to the books I never wrote, the the music I never composed, to the love I didn’t give.

Life is a sentence.

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Cages/Gaiolas – 2017 – 30×40 – Luciana Mariano (direitos reservados)

DISPONÍVEL / AVAILABLE

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Tenho sonhado muito nos últimos dias. Uma sonharada que por vezes lembro, outras não, que às vezes fazem sentido, outras me põem ainda mais ansiosa, confusa. Se sonhos são projeções do inconsciente, minha alma está povoada pelo tumulto, pela agitação, multidões barulhentas de quadros ainda não concebidos. Muito movimento, muitas histórias e sentimentos que me fazem acordar cansada – como se a vida diária, acordada, já não se encarregasse disso.

Vivo a síndrome do estrangeiro, aquele que não pertence em lugar nenhum e especialmente aqui sei que não me encaixo. Me falta algo que vai além do que sei descrever, uma sensação de desconforto que me roça a pele, incomoda e sufoca como espartilho sobre a roupa e sapato de tiras, de salto, apertados.

Tenho conseguido meditar um pouco, o que que ajuda a recobrar a sanidade. Aquela paz de quem observa à distância, que vê o torto mas não se curva para segui-lo. Aquela aceitação da impotência, misturada com a tranquilidade de quem já entendeu que às vezes só o tempo mata ou cura. Ele, o tempo, não falha nunca, quem falha é a vida, efêmera, fragilzinha, mecânica, utópica. A cabeça trabalha o tempo todo, mesmo quando tenta, se esforça deliberadamente para não fazê-lo. Ela avalia tiranos, examina possibilidades e, sempre que possível, acordada ou dormindo, sonha.

Hoje meu sonho me estapeou pra fora da cama, acordei com a frase: “É o que é.”

Aceitação? Nem sei… Não costumava ser dessas.

Mas é. É o que é.

Um dia de cada vez.

Vou fazer o que sei, preciso e posso. Vou pintar. E assim sou feliz, leve, livre.

Quando não pinto por algum tempo, os quadros borbulham dentro de mim, como essa enxurrada de sonhos descontrolados, querem sair. Metáfora perfeita para eu, que quero sair. É o que é. Vou pintar.

Sobreviver é urgente quando se trata de viver de arte.

Para viver entre saudade e sonho, prefiro pintar: a única e secreta, pessoal e intransferível forma de enganar o impiedoso tempo.

É o que é.

Que bom, melhor assim.

Extremos

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Parece que quanto mais frágil,
Mais algozes a rondar
Quanto mais débil
Mais tiranos a solta.
É fácil amar o belo
Cultuar o perfeito
Cortejar o pronto
Difícil é arriscar
No incerto
Levantar
O derrotado
Defender
O fraco.
O sonho vislumbra paz
Mas o pesadelo desafia o horror.