LIBERDADE

Cages


Cages are homes, hearts, minds, routines. You may love your cage, but it is still a cage.

I am prisioner to the books I never wrote, the the music I never composed, to the love I didn’t give.

Life is a sentence.

*****

Cages/Gaiolas – 2017 – 30×40 – Luciana Mariano (direitos reservados)

DISPONÍVEL / AVAILABLE

*****

Tenho sonhado muito nos últimos dias. Uma sonharada que por vezes lembro, outras não, que às vezes fazem sentido, outras me põem ainda mais ansiosa, confusa. Se sonhos são projeções do inconsciente, minha alma está povoada pelo tumulto, pela agitação, multidões barulhentas de quadros ainda não concebidos. Muito movimento, muitas histórias e sentimentos que me fazem acordar cansada – como se a vida diária, acordada, já não se encarregasse disso.

Vivo a síndrome do estrangeiro, aquele que não pertence em lugar nenhum e especialmente aqui sei que não me encaixo. Me falta algo que vai além do que sei descrever, uma sensação de desconforto que me roça a pele, incomoda e sufoca como espartilho sobre a roupa e sapato de tiras, de salto, apertados.

Tenho conseguido meditar um pouco, o que que ajuda a recobrar a sanidade. Aquela paz de quem observa à distância, que vê o torto mas não se curva para segui-lo. Aquela aceitação da impotência, misturada com a tranquilidade de quem já entendeu que às vezes só o tempo mata ou cura. Ele, o tempo, não falha nunca, quem falha é a vida, efêmera, fragilzinha, mecânica, utópica. A cabeça trabalha o tempo todo, mesmo quando tenta, se esforça deliberadamente para não fazê-lo. Ela avalia tiranos, examina possibilidades e, sempre que possível, acordada ou dormindo, sonha.

Hoje meu sonho me estapeou pra fora da cama, acordei com a frase: “É o que é.”

Aceitação? Nem sei… Não costumava ser dessas.

Mas é. É o que é.

Um dia de cada vez.

Vou fazer o que sei, preciso e posso. Vou pintar. E assim sou feliz, leve, livre.

Quando não pinto por algum tempo, os quadros borbulham dentro de mim, como essa enxurrada de sonhos descontrolados, querem sair. Metáfora perfeita para eu, que quero sair. É o que é. Vou pintar.

Sobreviver é urgente quando se trata de viver de arte.

Para viver entre saudade e sonho, prefiro pintar: a única e secreta, pessoal e intransferível forma de enganar o impiedoso tempo.

É o que é.

Que bom, melhor assim.

Viola enluarada

image

Música inspira minha arte. Às vezes uma música me faz imaginar um quadro, outras a imagem me lembra uma canção. Geralmente música clássica me inspira em cores, mas o humor e o tema também são envolvidos e misturados por melodias das mais diversas. Almas sensíveis são normalmente tocadas pelo entorno, artistas, acredito, têm pele a menos e terminações nervosas a mais, porque as coisas nos invadem, tudo nos toca, algumas nos afligem, outras nos submergem. Nos afogamos facilmente pelas emoções, do amor à tristeza, toda agua é mar e todo mar é vasto, profundo.
A situação política no Brasil me devasta. Ver pequenas e frágeis conquistas sociais serem pulverizadas como estão sendo, me dá a sensação de que o mal é maior que o bem e que o egoísmo, a ignorância e a ganância são os sentimentos mais presentes na já empobrecida raça humana. Belchior escreveu e Elis cantou: “eles venceram e o sinal está fechado pra nós…”
A única coisa que me consola é a arte. Por ela pode-se denunciar abusos, indicar tiranias, questionar posturas, gritar injustiças, sussurrar dores, até mesmo quando se pinta uma flor ou se canta sobre o pó da estrada. A angústia do artista é tão necessária quanto a empatia pelo próximo. A capacidade de indignar-se diante do mal é a mesma que pinta escancarados e sutis horrores da existência. A arte protesta mas também vislumbra, cria, recorda momentos ideais, tempos bons, memórias saudáveis. A arte pode denunciar mas também pode fazer sonhar com aquilo que
Ainda não está, mas é possivel.
A belíssima música “Viola enluarada” (de Marcos Valle) me acompanhou na criação deste quadro, com sua doce mas profunda poesia. Ouvi várias vezes enquanto pintava. Na inocência dos elementos pintados, a canção martelava-me a alma: “A mão que toca o violão, se for preciso faz a guerra… Liberdade”
Precisamos de mais mãos, de mais igualdade, mais liberdade. Precisamos de festas juninas onde todos tenham o direito de dançar, brincar, comer, existir.
Em tempos de muitas trevas é preciso criar estrelas.
Em tempos com tão poucos motivos para festejar, é preciso trazer música, cor, brincadeira, dança, generosidade, igualdade, amor e cor à vida.
Senão houver memória que pelo menos haja sonho.
E se não conseguirmos sonhar que ao menos existam telas e músicas cheias de cor e poesia para que consigamos apaziguar a alma e seguirmos, perseverando, sem temer.

 

OBRA DISPONÍVEL PARA VENDA: “Festa Junina” – junho/2017 – Luciana Mariano ©

O Golpe

20140325-083627.jpg

1o. De Abril de 1964
50 anos do golpe militar que derrubou o presidente João Goulart e instalou a ditadura, o atraso e o terror no Brasil. Às mulheres guerreiras, guerrilheiras, lutadoras, idealista, torturadas, humilhadas, violadas, violentadas, surradas e mortas pelo mal e pela tirania daquele período, todo meu respeito, solidariedade, amor.

Ditadura nunca mais.
Tortura nunca mais.
Todo poder ao povo.
Todo respeito às mulheres.

Existe amor em São Paulo

20130516-142200.jpg

São Paulo é um universo.
Acha-se de tudo aqui. Uma Torre de Babel.
Da nata do melhor a escória do pior, todas as polaridades.
Todos os sentimentos, todas as tribos, todas as raças.
O bem e o mal nos extremos que podem se apresentar.
Escândalo e delicadeza.
Dureza e ingenuidade.
Misturas.

Olho São Paulo como alguém que se olha no espelho.
Sou cruel e compassiva, como a cidade é.

Tenho vergonha de muita coisa que não concordo, mas minha maior vegonha é de gente que discrimina. Gente que senta no pedestal e aponta, critica, julga, discrimina.
Gente que se acha melhor do que as outras
seja porque o outro é
Pobre
Negro
Mulher
Gay
Dificiente
Ou simplesmente porque PENSA diferente.

Me entristece a arrogância.
Me dá vergonha.
Vergonha de gente que não entende que a diversidade é o que faz do mundo um lugar rico.
Rica é a diversidade. E ela dá a chance para todos exercitarem o olhar para o novo.

O novo é uma oportunidade
para crescer, expandir pessoal, social, emocionalmente.
Preconceito é uma merda.
E revela o pior do ser humano.

Tem muita merda no mundo.
Mas insisto em acreditar que (também)
existe Amor Em São Paulo.

Tempo, vento e pensamento

20130508-092338.jpg

Liberdade
Tão linda
Essencial

As vezes, tão rara.

Mulheres
no mundo todo
Todos os dias
Lutam,
Anseiam
Conquistam
Ganham
Perdem
Fracassam
Vencem

E dão sentido a ela.

farvel 24. september

img076

 

Til dig: I dag skulle vi fejre vores 18. bryllupsdag. Den sang har du spillet for mig en dag… http://www.youtube.com/watch?v=xsBe1B8jvSY Nu giver jeg tilbage til dig, jeg har ikke brug for den laengere. Vores historie afslutter idag i mit hjerte. Jeg er glad at vaere fri, endelig. Jeg oensker dig et godt liv. Mit starter nu. Farvel, Mig.

*********

ATOS DE LIBERTAÇÃO/LIBERATION ACTS:

AL-1: Você está sozinha agora: vai ser feliz!

LA-1: You are now on your own: go and be merry!