poesias

Cages


Cages are homes, hearts, minds, routines. You may love your cage, but it is still a cage.

I am prisioner to the books I never wrote, the the music I never composed, to the love I didn’t give.

Life is a sentence.

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Cages/Gaiolas – 2017 – 30×40 – Luciana Mariano (direitos reservados)

DISPONÍVEL / AVAILABLE

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Tenho sonhado muito nos últimos dias. Uma sonharada que por vezes lembro, outras não, que às vezes fazem sentido, outras me põem ainda mais ansiosa, confusa. Se sonhos são projeções do inconsciente, minha alma está povoada pelo tumulto, pela agitação, multidões barulhentas de quadros ainda não concebidos. Muito movimento, muitas histórias e sentimentos que me fazem acordar cansada – como se a vida diária, acordada, já não se encarregasse disso.

Vivo a síndrome do estrangeiro, aquele que não pertence em lugar nenhum e especialmente aqui sei que não me encaixo. Me falta algo que vai além do que sei descrever, uma sensação de desconforto que me roça a pele, incomoda e sufoca como espartilho sobre a roupa e sapato de tiras, de salto, apertados.

Tenho conseguido meditar um pouco, o que que ajuda a recobrar a sanidade. Aquela paz de quem observa à distância, que vê o torto mas não se curva para segui-lo. Aquela aceitação da impotência, misturada com a tranquilidade de quem já entendeu que às vezes só o tempo mata ou cura. Ele, o tempo, não falha nunca, quem falha é a vida, efêmera, fragilzinha, mecânica, utópica. A cabeça trabalha o tempo todo, mesmo quando tenta, se esforça deliberadamente para não fazê-lo. Ela avalia tiranos, examina possibilidades e, sempre que possível, acordada ou dormindo, sonha.

Hoje meu sonho me estapeou pra fora da cama, acordei com a frase: “É o que é.”

Aceitação? Nem sei… Não costumava ser dessas.

Mas é. É o que é.

Um dia de cada vez.

Vou fazer o que sei, preciso e posso. Vou pintar. E assim sou feliz, leve, livre.

Quando não pinto por algum tempo, os quadros borbulham dentro de mim, como essa enxurrada de sonhos descontrolados, querem sair. Metáfora perfeita para eu, que quero sair. É o que é. Vou pintar.

Sobreviver é urgente quando se trata de viver de arte.

Para viver entre saudade e sonho, prefiro pintar: a única e secreta, pessoal e intransferível forma de enganar o impiedoso tempo.

É o que é.

Que bom, melhor assim.

Goodbye 2016

It was about time. 2016 was a heavy year to bare. Brazil suffered a dirty, evil, imperialist financed, media promoted, disgusting political attack (yes it was a coup d’etat), they impeached a honest, democratically elected president and allowed Brazil to go back to curruption, poverty and dependency. Yes, you are all guilty of it. You all watched our young beautiful nation being raped, and yet, you did nothing. Your body may be going to the beach in a fancy new car, but your mind is blind, enslaved, in chains. 

I am happy 2016 will soon be over. At least metaphorically we have a new chance for better days. Yes, I am bitter about this and many othe things. And my only escape from the reality I do not cope with is to paint. I paint easy days with beautiful things to look at, peaceful times, loving people. I paint calm walls of protection, lovely china on the table with delicious cakes, bread, jam, butter, fresh brewed coffee, warm milk. I paint light curtains, beautiful sunsets, cute animals. I paint neat clothes, delicate groomed hairs, timid smiles, attemptive eyes. I paint good company and happy expectations. I paint time and space that suits the soul, embraces the eyes. I paint small treasures and details that invites your attention, your fantasy, your smiles. I paint flowers and clouds, sea and nice water kettle on the warm stove. I paint memories and dreams. I walk myself out of frustration and desappointment through colors and brushes. Striking fresh paint on immaculate canvas allows me to offer a different reality and believe in a better world. 

I am eager to start the new year. I am ready for a self built reality filled with happiness and pleasant present moments.

It is time for a new painting. Always time for a new chance.
PAINTING AVAILABLE FOR SALE – 30x40cm – acrylics on canvas – “Kökar”, 2016.

Empty spaces

December arrives and the year ends. It sounds like a metaphore for life…and it is.

The end of the year brings loads of thoughts and considerations about things that really matter and other things that simply fade away, as they never even existed. Empty spaces are so poetic. It is time to make room for the new, emptying boxes, drawers, minds, hearts and souls of the things, feelings and thoughts that no longer have place, importance or use. We are getting one year further away from what was and approaching whatever else it will be. Letting go is not always an easy thing to do. Some of the things left behind can never be replaced, but they still need to be left behind. December is time to celebrate symbols and comemorate our capacity to love and reinvent, end and restart. December holds, besides many beloved friends’, my brother’s and my son’s birthday. One is forever missed and gone and the other one is my reason to carry on. December is not an easy month for me. But it is also one of my very favorite times of the year. With lovely smells and tastes like glöck, roast, cakes and cookies. It has sprinkled magic disguised as tiny bright lights and candles. Hot and cold. Extreme conditions, feelings and weather, according to where you are and how you feel.

December, for me, is a cozy empty space.

Choose your dreams

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Tem realidade demais pra ser digerida nesse mundo gorduroso.
Sonhos, por outro lado
São doces e não engordam
São assustadores mas não matam
São confusos mas não importam

Neles, voar é possível
Sonhar é passível
Viver é passável

A madeira escorre
O chão flutua
Os potes transbordam
De nada
E nada existe
Nem tudo é.

Sonhar
Profundo, tranquilo como o cosmo
Revolto e indecifrável
como o mar
Um mar de sonhar.

Lá a loucura é permitida.
Andar nu, sentar-se, subir ou olhar
Entrar ou sair, exitar…
Lá tudo pode
Porque nada é.

Escolha o seu sonho
Um raro e um caro produto
De mentes sãs e perturbadas.

Escolha enquanto há tempo
Enquanto o tempo gira
Nos relógios que pairam

Que bela a vida que se contempla
daqui de fora
Daqui de cima
daqui do lado
Daqui de dentro
De onde viver e sonhar
Só depende do desejar
Só depende do desenhar.

sereia – mermaid – sirena – havfrue

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Sereias são seres encantados
Inventados
Improváveis
Irreais

Metade peixe
Metade moça
Vivendo no mar

Eternamente

Não se sabe nada delas
E quem soube, não sobreviveu para contar

Por tantas lágrimas vertidas de seus olhos frios
O mar se tornou salgado
Revolto
Profundo
Infinito

Se sua solidão é sina
Ou necessidade
Também não se sabe

Seu canto, pranto e tristeza
Seu nado, dança e Beleza
Divide sonhos e encantos
Mergulha a imaginação humana
Nos mistérios da natureza.

Portas

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Portas me fascinam
passagens, saídas e entradas
Possibilidades, oportunidades
Chances de ação e repouso
Aconchego e liberdade.

Fechadas, ensinam a buscar outros refúgios, testar caminhos
Abertas, convidam a entrar, mas também permitem sair, buscar, sumir

Portas, portões, portais, passagens, tuneis, janelas, espaços efêmeros
Instáveis
Necessários
Simbolos de introspecção e fuga.
Proteção e libertação.
Expressão do quão aberto (ou fechado) se está para a vida.
Limiar entre a fachada sempre muito superficial
E as paredes internas, sua luz, sua escuridão.

Portas se abrem
Portas se fecham
Portas apenas estão.
Madeira, vidro, aço, ferro,
Tecido, palha, papel, algodão
Só espaço
por detrás e através
Só o momento, o lado
[in] PORTA
(trans) PORTA
{PORTA}

E a porta,
Que porta?
Ela já não importa.

Silent movement

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Time to look inside.
To understand and sort out the colors
Feelings and thoughts
Choosing the brushes,
Observing the quiet canvas
Blanking out the mind, the soul
Diving deep into it
To become the thread and the weft
And embody that delicate space
Between the white rough tissue
and the black soft graphite of my pencil
Gently, tenderly scretch one line at the time
And another line,
and another one and then so many
And so intensively and so madly
That the arm will fall exhausted
And the eyes will close
and the muscles will give up
All together
Collapsing in silence
Until only the sound of my breath
Will again catch my attention
And this tired breath will inspire
Inspire and expire, again and again
Until the sublime act of painting.
Love disguised in gesture
Colouring each space
Creating life and form
That will forever seat
in deadly stillness
And yet
say so much
Throughout eternity
Even long, long after I’m gone.

Oposto Complementar

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Opostos complementares

Parecem iguais, mas não são
Sentimentos opostos
Complementares
O desejo de ir, ficando
Ou o de ficar, indo.
Sonho com realidade
E realidade sonhada.
O ruído do silêncio
Luz na escuridão
Medo, multidão
Amor,
Solidão

A difícil arte de viver
Se mescla com a
Vida difícil de fazer arte.
Prazer e desesperança
Utopia, fé
Reza-se, entrega-se
Pede-se aos céus
Porque ceticamente,
[intimamente]
Não se vislumbra o divino
Tinta é só tinta
E as vezes também é vida
História
Ficção e realidade.
Vida e morte
Beleza, sujeira, maldade.
Iniquidade.

Polaridade
Confusão-harmonia.
Igual, mas diferente.
Opostos que se completam.
Se encontram, complementam.
Dualidade da unidade.
Atração e repulsão
Alma, gente
ego e alma
Caos-Paz
[caos]
Calma.

Objeto VIII

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Quem não tem pecados, que atire a primeira pedra.
Vejo pedras demais no caminho, mas nenhuma delas pavimenta.
Vejo gente que reza uma história e pratica outra.
Gente que julga e se senta no altar dos imaculados.
Gente que vive de imagem enquanto destrói o sonho alheio.
Fachadas suntuosas com ruínas internas.
Imundos corredores.
Quanta sujeira
Quanta decepção.
Chega de dar importância demais a quem merece de menos. Muito menos. Nada.
Por tempo demais, vi gente “boa” pisando de propósito na barra do vestido alheio.
Desejo de destruir, desabilitar sonhos, diminuir o brilho, a luz… por puro prazer.
Só a raça humana faz isso. O pior da raça humana.

Insistente sujeira,decepção.
Males desnecessários, mas que ensinam a quem quiser aprender.
Separar o joio do trigo. Entender a escuridão. Realizar o nojo.

Fartar-se.
Digerir.
Repelir.
Transmutar.

Quebra, ruptura.
Vazio, vácuo.
Ao invés da luta, entrega.

A unica cura possível é a pessoal. E ainda assim requer desejo.
Ela acontece no desapegar, no desprender, na desconexão.
Mudar e continuar alimentando feras não soa razoável. Nem possível.
Mudar, de fato, significa cortar as amarras e voar
Exercer a leveza da alma e do tempo.
Movimento interno, intenso
Silencioso, solitário, eterno.

Quanta bobagem se escuta e se vê.
Tantas outras se escreve.