Guardando a porcelana


Momento interessante.
Nem feliz, nem triste. Nem viva, nem morta.
Silêncio no barulho, um barulho silencioso.
Homeless.
O que há de ser de todas estas telas?
Guardadas, dentro de mim, podem a qualquer momento se tornar material altamente radioativo, corroer minhas entranhas, me levar a loucura.
Soltos, libertos, ja nem importam, podem virar lenha para fogueira, não sofreria nem um pouco.
Não há casa que me abrigue, nem braços que protegem.
O mundo la fora é feito de feras e minha ingenuidade já nem é.
Talvez eu também deva me tornar fera, androfágica, hemorrágica, altamente perigosa, cômica, trágica.
Tudo fere. E também nada mais impressiona.
A vida nada mais é do que raros momentos, de raras pessoas, com raros acertos e muitas decepções.
Enquanto houver dor há arte.
Mesmo que seja arte imbecil e tola.
Mesmo que seja arte nem tão isso em tão aquilo.
Mesmo que seja a minha arte.
Enquanto houver tinta há esperança.
Enquanto houverem passagens aéreas, haverei de sobreviver. A porcelana está a salvo, nada mais importa.

LMFS

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